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07/09/2021
Flávio Conta Migliaccio
Por Amir Labaki
 

 
Nem mesmo um letreiro informa aos espectadores de “Migliaccio, O Brasileiro em Cena”, lançado em salas ontem, que o ator, cineasta, cartunista e roteirista que recorda para a câmera mais de meio século de marcante atividade no teatro, cinema e TV morreu por decisão própria em maio do ano passado. Dois motivos parecem explicar a omissão.
 

Primeiro, visa-se respeitar o dispositivo confessional do documentário, com Flávio Migliaccio (1934-2020) narrando sua trajetória -e é impossível alguém contar a própria morte. Segundo, é como se o filme guardasse, assim, pistas subliminares que permitiriam melhor compreender o trágico gesto final de seu protagonista.

Para bom entendedor, contudo, o breve e doloroso bilhete de despedida de Migliaccio elucidou suficientemente seu adeus voluntário. “Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste país é o caos como tudo aqui. A humanidade não deu certo”, explicou ele no início da nota.

“Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este”, prosseguiu ele. Nada melhor do que o documentário para desmenti-lo.

Dirigido por Alexandre Rocha, Marcelo Pedrazzi e João “Tuco” Mariano, a partir do roteiro de Pedrazzi ao lado de Fernanda Dannermann, Leonardo Menezes e Marcelo Migliaccio, único filho de Flávio, “Migliaccio, O Brasileiro em Cena” ancora-se em longas entrevistas do ator comentadas por cenas de uma peça autobiográfica e por generosos trechos de arquivo de sua bela carreira no cinema e na televisão. Um dos onze filhos de uma modesta família ítalo-paulistana, Flávio abraçou o ofício de ator de maneira autodidata, depois de ter tentado ganhar a vida como pedreiro e mecânico.

Com três anos de palco, ei-lo em nada menos do que o Teatro de Arena (1956-1970), um dos marcos modernizadores da cena brasileira, ao lado de jovens como Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri, José Renato e Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. “O Teatro de Arena busca descobrir uma maneira de representação bem brasileira”, explica Flávio. “Eu e Milton Gonçalves representávamos o povo”, provoca.

Após uma turnê no Rio de Janeiro com a companhia, Flávio para lá se transferiu. Se ele deixou o Arena, o Arena jamais o deixou, forjando o estilo despojado e realista de interpretação que distinguiu sua carreira.

A mudança para o Rio estabeleceu sua transição dos palcos para os sets. É a partir de seu engajamento como roteirista e ator no pioneiro clássico cinemanovista “5 X Favela” (1962) que Flávio concentrou e expandiu seu talento no cinema por ao menos uma década.

Ainda em 1962, ele estreava como diretor de longas-metragens realizando “Os Mendigos”, sobre uma menina que foge de um reformatório e passa a viver com os pedintes das ruas do Rio. Suas cenas desfalcam o documentário devido ao impasse institucional que mantém fechada a Cinemateca Brasileira.

“Os Mendigos” catalisou o convite do cineasta sueco Arne Sucksdorff (1917-2001) para que Migliaccio o auxiliasse como co-roteirista e assistente de direção de “Fábula” (1965), sobre o cotidiano dos pivetes de Copacabana. Durante o resto da década, foi como intérprete do homem comum brasileiro que Flávio se firmou nas telas: “Todas As Mulheres do Mundo” (1966), de Domingos de Oliveira, “Terra em Transe” (1968) de Glauber Rocha, “O Homem Que Comprou o Mundo” (1968), de Eduardo Coutinho.

Nos anos 1970 vêm juntos o choque de realidade, o auge de ocupação e o pico da fama. “Para sobreviver”, reconhece ele, “a gente teve que fazer de tudo”. Isto é, “TV, teatro comercial, pornochanchada”.

Logo no início da década, seu sonho de “criar um personagem fixo”, como fizeram “Charles Chaplin, Buster Keaton, Renato Aragão”, por duas vezes quase se concretizou. Nos cinemas, surgiu com o infantil “As Aventuras com Tio Maneco” (1971), que renderia três filmes e, já na década de 1980, uma série na TVE carioca. Na TV, se apresentou ao formar dupla com Paulo José como os anti-heróis cômicos Shazam e Xerife, lançada com tamanho sucesso na novela “O Primeiro Amor” (1972) que ganhou série própria na mesma Globo logo a seguir.

Tio Maneco emplacou certo sucesso, mas jamais chegou sequer perto de um fenômeno como Os Trapalhões. Com a fama trazida por Xerife, conta Flávio, “eu saí fora de mim: tinha sempre uma criança no colo”. Duas gerações de meninos e meninas gravaram os personagens na memória, enquanto ele seguia a carreira de “ator amador” que “jamais recusa papel”, povoando novelas e humorísticos com tipos carismáticos.

O documentário registra um Migliaccio sempre orgulhoso do ofício e em constante criação, mas progressivamente misantropo, desencantado e solitário. “Fui morar no mato para me esconder um pouco dessa sociedade que criaram”, desabafa ele.

“Lá por dentro eu não envelheci”, garante, perto do fim. “Uma pessoa de 80 anos, sem medo de morrer, não acreditando em Deus, tem de ter certa coragem”. Até que não mais a tem.
 

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