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05/06/2026
O Esporte em Dez Documentários
Por Amir Labaki

A poucos dias da abertura da Copa do Mundo de 2026, no próximo dia 13, documentários e especiais sobre futebol pipocam pelas plataformas de streaming e canais de TV por assinatura, seja sobre edições anteriores da disputa da FIFA, triunfos e decepções de seleções (não apenas brasileiras), momentos marcantes de outras equipes e retratos de jogadores marcantes (em geral, os atletas mais que os filmes). 

Para ampliar um pouco o cardápio, mas respeitando a febre majoritária, preparei uma lista de dez dos documentários esportivos que mais se inscreveram na memória. Restringo-me a filmes únicos, deixando de lado séries inequivocamente excepcionais, como a brasileira “Futebol” (1998), de Arthur Fontes e João Moreira Salles, e a vencedora do Oscar em 2016 “O.J.: Made in America”, de Ezra Edelman.

Friso: não há aqui a pretensão de uma relação de “melhores”. O jogo aqui é outro, até mesmo pela opção por destacar filmes por categorias esportivas distintas -e em ordem alfabética. Afinal, as finais do torneio de tênis de Roland-Garros e da NBA também se impõe no cardápio de esportes destas semanas. 
Sinto por muitos títulos não estarem facilmente acessíveis. Com um mês e meio de Copa à frente, dá mais que tempo para programadores os exibirem e curiosos correrem atrás.

Basquete Blues (1994), de Steve James – Um dos grandes clássicos do documentário, tanto esportivo quanto social. Acompanham-se os anos de formação de dois jovens afro-americanos de famílias modestas de Chicago, Arthur Agee e William Gates, em busca do sonho de ascensão pela excelência nas quadras. Um marco também na revolução digital que expandiu o intimismo e as curvas temporais de registro para o cinema não-ficcional.

As Bruxas do Oriente (2021), de Julien Faraut – Uma radiografia emocionante pelo cineasta francês da obsessão por excelência e pela vitória da equipe japonesa de vôlei feminino que conquistou a medalha de ouro nas Olímpiadas de 1964. Depoimentos de algumas de suas jogadoras, farto material de arquivo e cenas recriadas em “anime” recuperam uma tocante saga esportiva algo esquecida -no Ocidente.

Um Domingo no Inferno (1977), de Jorgen Leth – Um autêntico “thriller” esportivo rodado por um dos maiores inovadores do documentário -o dinarmaquês Leth, uma das influências centrais em Lars van Trier-, que foi também um dos comentaristas de ciclismo mais célebres de seu país e da Europa. O foco se divide entre vencedores e derrotados, participantes e espectadores, da corrida de bicicleta de Paris-Roubaix de 1976.

Garrincha, Alegria do Povo (1962), de Joaquim Pedro de Andrade – Rodado quando Mané voltava da consagração como craque maior (dada a contusão de Pelé) da conquista do bicampeonato da seleção brasileira na Copa do Mundo do Chile, é um retrato dele em meio de percurso, mais cotidiano, algo biográfico. Ainda assim, nenhum filme, ficcional ou documental, se aproximou mais do gigantesco personagem, marcando a aplicação pioneira aqui por Joaquim Pedro das lições à quente que acabara de receber dos irmãos Maysles em Nova York sobre a então revolucionária escola do cinema direto.

Ícaro (2017) de Bryan Fogel – Vencedor do Oscar de documentário de longa-metragem, é uma contundente autópsia do sistema de doping de atletas pela Rússia de Putin. Ciclista amador, Fogel se oferece como cobaia para comprovar as denúncias de um dos cientistas envolvidos, o agora informante Grigory Rodchenkov.

Olympia (1938), de Leni Riefenstahl – Sim, um dos clássicos da propaganda nazista, rodado durante as Olímpiadas de Berlim em 1936, ainda merece atenção, tendo-se o contexto em mente. Várias de suas inovações cinematográficas para o gênero, como a originalidade dos ângulos de câmera, a desaceleração dos registros e a ênfase em repetições, estabeleceram o padrão da cobertura de esportes até hoje.

Me Dá a Bola! (2026), de Liz Garbus e Elizabeth Wolff – O mais recente título da lista, lançado no Sundance Festival e exibido no último É Tudo Verdade, já se insere no cânone dos filmes sobre tênis. A multicampeã Bille Jean King impactou a história do tênis para muito além das quadras, em defesa da equiparação econômica entre os gêneros e dos direitos de atletas LGBTQIA+.

Quando Éramos Reis (1996), de Leon Gast – Da extensa filmografia em torno de Muhammad Ali (1942-2016), talvez nenhum outro tenha capturado a pluralidade de sua influência, tanto para o boxe quanto para a política e a cultura. Dissecam-se os bastidores de uma de suas lutas para midiáticas, na qual enfrentou George Foreman em outubro de 1974 no então Zaire, hoje República Democrática do Ciongo. Também vencedor do Oscar.

Senna (2010), de Asif Kapadia – Condensar em cinema a saga de um dos maiores ídolos esportivos do século 20 parecia impossível até o cineasta britânico reafirmar que a chave é o recorte dramático: a rivalidade nas pistas de Fórmula 1 entre Ayrton Senna e o francês Alan Prost no auge das respectivas carreiras.

Zidane – Um Retrato do Século 21, de Douglas Gordon e Philippe Parreno – Uma dupla de artistas visuais reinventa a filmagem do futebol, para retratar um craque em ação. Dezessete câmeras acompanham exclusivamente os movimentos em campo do francês de ascendência argelina Zinédine Zidane durante uma partida do Real Madrid em abril de 2005. Simplesmente hipnótico. 

Repeti futebol? Perdoe: é o espírito dos dias.

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