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13/03/2026
Duas Sementes da Guerra no Irã
Por Amir Labaki

O que assistir para ir além e mais fundo das notícias diárias na exaustiva cobertura televisiva da guerra travada no Oriente Médio entre os Estados Unidos de Trump e a Israel de Netanyahu contra o Irã dos aiatolás? Uma boa dica indireta veio do excelente episódio dedicado ao conflito pelo podcast The Weekly Show with Jon Stewart no último dia 4, no qual entrevistou a âncora-chefe internacional da CNN, a britânico-iraniana Christiane Amanpour, e a diplomata americana Wendy Sherman, a principal negociadora do acordo nuclear de 2015. 

“Os americanos ainda são assombrados pela crise dos reféns de 1979. Os iranianos ainda são assombrados pelo golpe de 1953”, argumentou no meio do episódio Amanpour. “E a lista continua. Esta é uma guerra de desconfiança”.

Falta naturalmente incluir a hostilidade entre Irã e Israel nesta equação em busca de maior perspectiva histórica, mas é um excelente começo para se entender as origens da incapacidade de diálogo entre os EUA e o Irã, de relações diplomáticas rompidas desde a Revolução Islâmica que derrubou em 1979 o despótico Xá Mohammad Reza Pahlevi (1919-1980).

Qualquer tentativa de uma filmografia, mesmo sem qualquer pretensão de exaustiva, ocuparia todo este caderno. Mesmo enfocando apenas aos documentários, é forçoso me limitar a alguns poucos títulos e seguir a argumentação de Amanpour.

Respeitando a cronologia, “Golpe 1953” (Coup 1953, 2019), dirigido pelo cineasta iraniano Taghi Amirani com a fundamental parceira do editor Walter Murch (Apocalypse Now), destaca-se entre as produções recentes mais sólidas sobre o golpe de Estado britânico-americano que, em agosto de 1953, derrubou o primeiro-ministro Mohammad Mosaddegh (1882-1967) e fortaleceu o poder autocrático de Reza Pahlevi.

Eleito em 1951, advogado de formação, Mosaddegh estabeleceu uma administração liberal em política e socialmente engajada em economia. Ele batalhou por maiores poderes ao Parlamento frente aos ditames monárquicos, fez aprovar uma nova lei agrária moderadamente anti-latifundiária e defendeu um maior controle nacional sobre os ganhos com o petróleo, dominados amplamente pelos britânicos, nacionalizando a Companhia Petrolífera Anglo-Iraniana. Os serviços secretos do Reino Unido e dos EUA se uniram na Operação Ajax, ejetando-o do poder e interrompendo a mais vigorosa experiência democrática no país, jamais nem longinquamente recuperada.

Exibido na competição do É Tudo Verdade 2020, “Golpe 53” radiografa o traumático episódio a partir da descoberta de transcrição inédita do depoimento de um dos principais agentes britânicos envolvidos na operação, Norman Darbyshire (1924-1993). Extirpada em sua quase totalidade de uma serie documental inglesa (End of Empire, 1985), a confissão de Darbyshire, reencenada com o ator Ralph Fiennes (com sucesso num dispositivo que raríssimamente funciona), cimenta a reconstituição da trama golpista.

O trauma americano de 1979 referido por Amanpour remete à tomada da Embaixada dos EUA em Teerã, em 4 de novembro daquele ano, mantendo em cativeiro 52 pessoas por 444 dias. Dirigido por Abbas Motlagh, Maro Chermayeff, Sam Pollard, Jeff Dupre e Joshua Bennett, “Reféns” (2022, disponível na HBO MAX) disseca brilhantemente, em quatro episódios de uma hora, aquela chaga histórica e seus antecedentes. Não à toa venceu o Emmy de série documental histórica.

O primeiro episódio, “O Trovo do Pavão”, sintetiza didaticamente o quarto de século, entre 1953 e 1979, de tirania monárquica apoiada pelos EUA de Reza Pahlevi. Sua modernização ocidentalizante da sociedade iraniana ancorava-se num sistema econômico de radical concentração de renda e numa máquina repressiva liderada pelo brutal SAVAK. Registros de arquivo de sucessivos encontros presidenciais com o Xá recordam o inabalável apoio americano.

Dois momentos chamam especial atenção. Numa entrevista coletiva de 1972, o secretário de Estado de Nixon, Henry Kissinger, justifica o acordo para a instalação de oito pioneiras usinas nucleares no Irã. Isso mesmo: o desenvolvimento nuclear iraniano teve por primeiro e fundamental parceiro os EUA.

O segundo trecho comprova a absoluta cegueira do Presidente Jimmy Carter (1924-2024), mesmo em sua salutar política internacional de defesa dos direitos humanos, frente à crueldade despótica de Reza Pahlevi. Numa visita a Teerã na virada de 1977 para 1978, Carter discursava: “O Irã, por causa da excepcional liderança do Xá, é uma ilha de estabilidade em uma das mais problemáticas regiões do mundo”. Não sabia ele que catalisava uma indignação que muito contribuiria para encurtar também sua carreira política.

À distância num vilarejo francês, o exilado aiatolá Ruhollah Khomeini (1902-1989) solidificava-se como o líder da crescente revolta popular, tanto de laicos quanto de devotos, que naquele ano lotava as ruas no Irã. Em janeiro de 1979, o Xá partia com a família em “férias” para nunca mais voltar. 

Em menos de duas semanas, Khomeini retornava; em dez dias, a Revolução Islâmica tomava o poder. Quatro dias mais tarde, uma primeira tomada da Embaixada dos EUA não se concretizou, rechaçada pelas forças do aiatolá vitorioso.

Em 4 de novembro de 1979, a ocupação acontecia, liderada por estudantes independentes do regime, como detalha o segundo capítulo, “Toca dos Espiões”. Como lembra um de seus líderes, Ebrahim Asgharzadeh, era para durar 48 horas, mas se estendeu por mais de um ano, ao servir para a máquina publicitária de consolidação do novo regime radical islâmico. Para a demonização dos EUA e a extensão do sequestro certamente contribuiu a autorização humanitária por Carter da entrada no país de Pahlevi para tratamento de um câncer avançado.  

Em “A Tempestade de Areia”, acompanha-se como a desastrada tentativa de resgate militar dos reféns, em abril de 1980, acirrou ainda mais os ânimos e agravou a humilhação interna de Carter. (Uma autópsia fílmica ainda mais minuciosa da ação fracassada se encontra em “Desert One”, dirigido em 2019 por Barbara Kopple).

Por fim, “A Transação” reconstitui as negociações mediadas pela Argélia, envolvendo divisas iranianas congeladas nos EUA, que levaram à libertação de todos os reféns. Carter a negociou e, derrotado na eleição presidencial por Ronald Reagan, acompanhou sua concretização até durante a cerimônia de transmissão do cargo em 20 de janeiro de 1981. Apenas após o juramento presidencial de Reagan o avião que os transportava foi autorizado a decolar.

Numa autocritica final, o ex-estudante Asgharzadeh, hoje militante reformista, se arrepende do sequestro e sustenta: “Um antiamericanismo constante se tornou a identidade da revolução e isso continua”. Imagine agora.
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