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28/08/2025
Nelson nos 100 dos 1970

Por Amir Labaki 

A presença de “Como Era Meu Gostoso Meu Francês” (1972), de Nelson Pereira dos Santos, na lista de 100 melhores filmes de década de 1970, publicada no último dia 18 pelo site especializado americano IndieWire (www.indiewire.com), mantém a marca de ao menos uma produção brasileira na votação iniciada em 2022 para destacar títulos de uma década específica por vez, sendo aquela inaugural concentrada na produção dos anos 1980. 

Naquele ano, dois filmes nacionais estavam eram os mais votados: “Cabra Marcado Para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho, na 53ª posição, e “A Idade da Terra” (1980), de Glauber Rocha, no 99º posto. Em 2023, dedicada à década de 1990, “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles, ficou no 88º; no ano passado, com foco nos anos 2000, eis na 68ª  posição “Jogo de Cena” (2007), de Eduardo Coutinho.

O reconhecimento inclui no cânone das listas da IndieWire um dos grandes mestres do cinema brasileiro a partir de uma de suas obras de vivo interesse na presente discussão e valorização da produção cinematográfica decolonial. “Uma sátira implacavelmente nativista da arrogância colonial, a obra-prima do cinema novo de Nelson Pereira dos Santos continua sendo uma das críticas mais contundentes da história do cinema à narrativa do salvador branco que tanto propagou nos últimos 125 anos”, escreve David Ehrlich na apresentação do filme no ranking de IndieWire.

Livremente inspirado em “Duas Viagens ao Brasil” (1557), do alemão Hans Staden (1524-1576), único cronista estrangeiro do Brasil colonial a sobreviver após prisioneiro dos tupinambá, “Como Era Gostoso Meu Francês” muda-lhe a nacionalidade, Hans tornando-se Jean. “Ele (Staden) experimentara uma aventura individual”, explicou em entrevista Nelson Pereira dos Santos na pioneira biografia publicada por Helena Salem em 1987 (Editora Nova Fronteira). “Pareceu-me mais indicado, portanto, um personagem francês, já que os franceses participaram diretamente da colonização e constituíram um objeto mais interessante para a apreciação de um choque de culturas”.

Capturado pelos portugueses e destes pelos tupinambá, Jean (Arduíno Colasanti) tem seu destino, ser antropofagicamente comido, traçado pelo cacique Cunhambebe (Eduardo Imbassahy), ficando até vê-lo cumprido aos cuidados de Seboipep (Ana Maria Magalhães), viúva do irmão do líder indígena. Todos os intérpretes, principais, coadjuvantes e figurantes, são atores e extras brasileiros, com os diálogos em tupi-guarani escritos pelo cineasta Humberto Mauro.

Depois de enfrentar problemas pontuais com a censura sob a justificativa da nudez, “Como Era Gostoso Meu Francês” foi liberado com alguns cortes e classificação livre, vencedor o prêmio de público do Festival de Brasília e alcançando grande sucesso de bilheteria (800 mil espectadores). No circuito internacional, participou da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e da mostra competitiva do Festival de Berlim, entre outros, estreando em salas de Nova York em 1973.

Um ensaio original do curador e professor Richard Peña (New York Film Festival/Columbia University e New York University), na antologia clássica “Brazilian Cinema” (primeira edição, Associated University Presses, 1982, nunca publicado por aqui), organizada por Randal Johnson e Robert Stam, consagrou “Como Era Gostoso Meu Francês” na filmografia essencial brasileira do período, num dos quatro títulos de Nelson Pereira dos Santos (ao lado de “Vidas Secas”, “Fome de Amor” e “Tenda dos Milagres”) entre os treze filmes nacionais analisados em escritos específicos no volume. “As ligações entre os brasileiros de hoje e os canibais indígenas podem ser vistos como uma das influências do movimento tropicalista no filme”, relaciona Peña.

Por sua vez, a eleição do drama musical autobiográfico “O Show Deve Continuar – All That Jazz” (1979), de Bob Fosse, no topo da lista dos melhores dos anos 1970, recupera uma obra-prima algo subvalorizada e com indiscutível sintonia com o espírito daqueles tempos. Como escreve Ryan Lattanzio, “nos momentos finais da década de 1970, Bob Fosse recentralizou o cinema americano no pessoal e hipersubjetivo com ‘O Show Deve Continuar’, encerrando uma década cujos filmes estavam intensamente preocupados com a fragmentação da ordem social”.

Com dois títulos entre os dez mais votados (O Poderoso Chefão I e II, em quarto e quinto) e quatro na lista, Francis Ford Coppola impera entre os diretores. No terceiro posto, três anos após liderar a lista de melhores da história da revista britânica Sight and Sound, “Jeanne Dielman” (1975), de Chantal Akerman, é o mais bem posicionado dos apenas onze filmes dirigidos por mulheres.

Há algo do impulso por revalorização do topo da lista na escolha de “Verdades e Mentiras – F for Fake” (1973), a última obra-prima de Orson Welles, na décima posição -entre os oito documentários - nem tanto, reconheça-se. E, de “Amarcord”, de Fellini, a “Gritos e Sussurros”, de Bergman, de “O Círculo Vermelho”, de Melville, a “Grey Gardens”, dos Mayles, Hovede e Meyer, de “Laranja Mecânica”, de Kubrick, a “Esse Obscuro Objeto do Desejo”, de Buñuel, é até bom não haver mais espaço para lamentar as ausências.


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