Nosso filme da semana é o clássico
“ABC da Greve”, de Leon Hirszman.
Entre
os líderes do Cinema Novo, Leon Hirszman foi o que mais regularmente equilibrou
sua obra entre a ficção e o documentário. Desde sua morte precoce em 1987, Leon
teve completados dois documentários de longa-metragem que não tive condições de
terminar. O primeiro é “ABC da Greve”, sobre a paralisação dos trabalhadores
paulistas em 1979.
Leon
trabalhava com Giafrancesco Guarnieri numa adaptação modernizada para as telas
da peça “Eles Não Usam Black-Tie” quando explodiu uma nova greve paralisando a
indústria automobolística de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetaeno,
em São Paulo. À frente do movimento, mais uma vez, o carismático líder
sindicalista Luis Inácio da Silva, mais conhecido como Lula.
Iniciado
às vésperas da posse daquele que seria o último general-presidente da ditadura
militar instaurada em 1964, João Batista Figueiredo, o movimento trazia entre
suas reinvindicações principais um aumento salarial e o reconhecimento da
figura do delegado sindical dentro das indústrias. Duramenre reprimida,
inclusive com a destituição da diretoria do sindicato pelo governo federal, a
mobilização estendeu-se por tensos dois meses, até encerrar-se com a assinatura
de um acordo.
Leon
registrou todo o processo trabalhando em sistema de mutirão com uma equipe
encabeçada pelo diretor de fotografia Adrian Cooper, responsável também pela
montagem e finalização do filme, estreado quase quatro anos após a morte de
Hirszman. Vale destacar que Leon e Adrian dedicaram-se conjuntamente a um longo
processo inicial de montagem das quase 25 horas de material filmado pouco
depois de sua captação, sem porém terminá-lo.
“ABC
da Greve” é história à quente. O renascimento do movimento sindical brasileiro
e seu duro confronto com o regime militar surgem na tela a partir da do
cotidiano dos operários e suas famílias e da dinâmica da greve, com os pontos
de vistas da ditadura, do empresariado, dos trabalhadores e seus reflexos na
imprensa.
Visto
mais de um quarto de século depois, o filme de Leon permanece tanto um registro
insuperável de um capítulo essencial da batalha pela redemocratização e redução
das injustiças sociais no país quanto um documento valioso de um modelo de
produção industrial logo tornado obsoleto pelo processo de robotização.
Filmando o que via, Leon iluminava o que nem poderia antever.
Programa no Canal Brasil
Sky – canal 55Claro TV – canal 67Vivo TV – canal 79 (cabo) canal 566 (DTH)Oi TV – canal 66GVT – canal 103

Apresentação: Amir Labaki
Curadoria, Apresentação e Direção Geral: Amir Labaki // Produção Executiva: Mônica Guimarães // Assist. de produção: Ana Paula Almeida // Fotografia: Erick Mammoccio // Assist. de gravação: Daniel Domingues // Edição: Mariana Fumo // Direção: Kiko Mollica // Gravado no Espaço Itaú de Cinema // Realização: É Tudo Verdade e Canal Brasil